Os lugares impossíveis de Carolina Santana

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Para dar visibilidade a um recorte da produção de mulheres artistas contemporâneas, a mostra Rizoma reuniu vídeos e imagens de mulheres de todo o Brasil e outros países como Chile, Itália, Portugal e México. O projeto tem uma proposta nômada, onde o material seguirá para outros lugares depois de ser exposto.


Foram 332 mulheres inscritas, 275 imagens e 70 vídeos, totalizando 347 trabalhos recebidos pela  Cataclisma e a produtora Maga que assinam a realização do evento que rola do dia 03 a 20 de agosto em Pelotas, RS.


Dentre as centenas de trabalhos de mulheres incríveis, encontramos algumas mães, dentre elas a artista visual de Belo Horizonte (MG),  Carolina Santana. Sua poética habita o que ela mesma nomeia de  “lugares impossíveis”: processo onde a apropriação e reinvenção dos corpos e lugares cotidianos são uma constante variável que se desdobram na pesquisa de diferentes suportes e linguagens como a escrita, a fotografia, o desenho, a ação dos corpos, o vídeo e o som.

Aqui ela fala um pouco sobre sua trajetória como artista e nos contou um pouco como foi se jogar no mundo da arte depois da descoberta da maternidade.

NMCM - Como começou a sua relação com a carreira artística?


Carolina Santana - Descobri que estava grávida 15 dias antes de prestar o vestibular, tinha 19 anos e estava certa que queria fazer a escola de Belas Artes. No entanto como engravidei, pensei em uma solução mais viável financeiramente para sustentar minha vida ao lado do meu pequeno, optei por fazer a licenciatura, que me possibilitaria dar aulas de arte, e ainda assim pesquisar arte, e por fim, um dia eu ia conseguir produzir. Para conseguir mostrar meu trabalho, seja na rua, ou em uma galeria, passei por uma longa trajetória, junto a isso, logo aos 6 meses de vida do meu filho, me separei de seu pai e infelizmente vivemos a velha história machista e desumana de abandono. Já fazem 11 anos que não temos a presença e apoio do seu pai nem de ninguém de sua família. Então, claro, passei por diversos processos complexos para me encontrar enquanto mulher, mãe solo e artista.

NMCM - Como a maternidade influencia no seu trabalho?

Carolina Santana - Meu filho nunca foi um empecilho, sempre compreendeu e respeitou todas as situações da minha vida. Adoramos produzir juntos! Ele é uma grande fonte de inspiração na minha vida. Quando ele tinha 4 anos, comecei a trabalhar como estagiária no núcleo educativo de um museu, e daí em diante, fui me encontrando e me tornando mais confiante em mim, aprendendo cada dia mais e conhecendo outros artistas, educadores, curadores e pessoas muito importantes para minha trajetória não só como artista, mas como pessoa. Trabalhei em diversos museus na minha cidade, atuando como educadora e coordenadora de projetos e núcleos educativos. Atualmente mantenho junto de um amigo um núcleo criativo que realiza consultoria em projetos de arte, educativos e design. Minha produção anda a toda vapor há uns anos! Esse ano fiz uma residência onde tive a primeira oportunidade de mostrar meu trabalho individualmente e já tenho alguns projetos engatilhados.



NMCM - Para se dedicar a esse tipo de trabalho é mais do que necessário uma rede de apoio, certo?

Carolina Santana - Quem me ajudou além de mim mesma, rs?  Minha mãe. Primeiro e sempre. Meu companheiro que está junto a nós a quase 7 anos e alguns familiares que se envolvem e ajudam a cuidar desde sempre. No mais me fortaleci me conhecendo melhor e formando grandes laços e redes de ajuda. Em alguns momentos tive sorte de encontrar algumas mulheres (nem todas são mães) que entenderam que ás vezes não tem onde deixar o filhote. E que mais do que abrir as portas, abriram o coração para nos receber em uma reunião, em uma vista mediada no trabalho ou mesmo em suas casas.

Tags fotografia arte rizoma maternidade mulheres
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Hevelin Costa

Hevelin Costa
Fotógrafa, artista, professora, idealizadora do projeto FotoNem, mãe de primeira viagem do Pan (em longos 5 meses). Vem tentando voltar a sua carreira e vida social. Não desiste nunca. Cria forças no fantástico mundo da Hevelin, onde a imaginação corre solta.

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