Nunca mais eu vou dormir

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A maternidade, sempre essa caixinha de surpresas, esse eterno aprendizado, a constante cuspida pra cima que volta na nossa cara. Onde conceitos e certezas são substituídos por dúvidas e questionamentos. Um manual de métodos que defendemos cheias de convicção e que quando nos damos conta, a real é que na prática a teoria é outra.


Quando a gente acha que pegou o jeito, que dominou o rolê,  vem o tal salto de desenvolvimento e a cria se transforma! Sim, ele evolui, aprende um tanto de coisa, se dá conta disso e por isso fica diferente (como os adultos). Fica assustado, chora mais, sente mais fome, se movimenta de forma diferente, demanda mais atenção e é nesse momento que a gente pira: “O que eu fiz de errado? Foi o feijão, foi o chocolate, eu chorei hoje e ele sentiu!”

A gente passa os nossos dias penando pra entender o que se passa naquela cabecinha e de repente tudo acalma novamente. Desenvolvemos uma nova técnica pra botar pra dormir. Agora vai. Daí nasce um dente e muda tudo de novo! Tá lá a gente penando de novo, se culpando de novo e chorando de novo. E assim, um ciclo eterno de evolução e aprendizado se forma de ambas as partes: mãe e bebê.

As pessoas não fazem ideia como pode ser difícil cuidar de umx bebê. Olhando bem pra esse pequeno ser humaninho, fofinho e cheiroso, quão difícil isso pode ser, né? Pois eu digo, MUITO! Começa pensando que ele é completamente indefeso e dependente e a gente precisa fazer absolutamente tudo por ele, o tempo todo. Sabe aquele cansaço depois de um dia de trabalho 10 horas em pé? - Xs amigxs produtores sabem bem como é - Mas que ao invés de ir pra casa descansar a gente emenda numa festa e quando se dá conta tá amanhecendo e vai pra casa de pernas bambas? (ah meus tempos...)
Então, multiplica isso por mil e eleva a enésima potência. É esse cansaço que a gente sente no primeiro mês de vida de umx bebê.

Vou resumir aqui o trabalho que dá fazendo umas continhas básicas:

10 cocôs + inúmeros xixis em 24 horas + infinitas mamadas noturnas + cocô noturno (é...tem que trocar a fralda as 3 da manhã) + xixis na cara (eu disse caRa e não caMa) + cocô no banho. Multiplique isso aí pelas nóias: do arroto, da cólica, do pum, do choro, do banho de sol, do banho de balde, do banho em si,  da vitamina D, da ecterícia, do álcool em gel.

“Essa visita espirrou?”, “Estão sequestrando bebês!”, “Deixei a fralda suja muito tempo”, “Esse bebê está dormindo muito, acho que não está respirando - vou acordar - ah era so uma soneca longa”, “Você  está vendo o bracinho dele tremer?” Google > Buscar: Bebês olh… > Bebês olhando pra mão muito tempo. Ufa, não tô tão louca porque outras mães também cataram essa parada aqui.

Nunca mais eu vou dormir, nunca mais eu vou dormir!  Certeza que quem escreveu essa letra foi a mãe do Maicou e do Douglas durante o puérperio.


E lá se vão quase 12 meses de muitas googladas, muitas golfadas e poucas goladas, mas muito amor. Parece que um helicóptero pousou na minha cara, mas com certeza um amor brotou no meu coração. E o mais sensacional, e que na verdade é o grande combustivel disso tudo, é que esse amor cresce cada vez mais.

Mais uma certeza que eu tinha: vai nascer e vou sentir o maior amor da minha vida.

Fuén. Mentira.

Nasceu, senti amor, mas não foi tão avassalador quanto foi abraçá-lo hoje, barriga com barriga e sentir sua respiração contra o meu peito, e sincronizar o nosso ar e respirarmos juntos de novo, no mesmo ritmo, encaixadinhos. Aquele micro corpinho esmagando meu estômago e preenchendo meu coracão.


Ih chorou! Vou lá dar mamá.


Tags maternidade-real relatos
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Juliana Arruda

Juliana Arruda
Paulistana de dna 011 e ddd 021, é Produtora cultural e audiovisual. Amante do verde, estuda permacultura e re-pensa como pode ser um pouco mais sustentável e saudável. Depois de virar mãe do Martin bolou o Mapinha (uma espécie de agenda cultural colaborativa), com a intenção de ocupar a cabeça e a cidade carregando a cria por aí.

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