Não vou sentir saudade daquele recém nascido

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“Ah, bebês só ficam legais mesmo por volta de 1 ano”. Toda vez que eu falo essa frase olhares espantados me rodeiam. Como assim? Você está dizendo que meu pequeno RN não é chato? Sim. Você está dizendo que nem seu filho era legal com um mês? Sim. É exatamente isso que estou dizendo.

As crias tem fases. A inicial, de recém-nascido, definitivamente, não é igual para todas. Meu filho até 5 meses não dormia por mais de 40 minutos. Eu passava o dia inteiro tentando fazer ele dormir, tentando estabelecer uma rotina, tentando criar estratégias. 24 horas de tentativas. No dia que eu olhei para página do Google de busca sobre “bebê de x meses dorme mal” e vi que todos os links estavam roxos (sinal de que eu já tinha clicado em todos), resolvi parar com essa obsessão por uma fórmula mágica para melhorar. Era muito ruim. Muito ruim me privar do sono, me privar de me alimentar, me privar da minha independência por 3 minutos inteiros. Eu amava meu filho, estava relativamente bem de saúde. Mas eu chorava todos os dias porque uma hora ia chegar a noite e eu não ia conseguir dormir de novo. Segui o conselho de amigas-mães e coloquei o mantra na cabeça de “Vai passar”. Me falavam assim: “Quando crescer você vai sentir falta dessa fase...”! Não. Não vou não. Eu não gostava e pronto acabou, apenas aceitem. Tem mães que curtem essa coisa de um pequeno serzinho super dependente de você 24h por dia. Eu não sou dessas E TUDO BEM. Toda essa história aqui é para dizer que você não precisa achar sua cria absolutamente maravilhosa & perfeita & tudo de muito bom em todas os segundos da vida. Tem fases que você vai se identificar mais, outras que você vai se identificar menos e faz parte. Cada mãe é uma, tem sua personalidade, suas vivências de vida que as tornam totalmente diferente umas das outras. Não é porque a vizinha vive contemplando o

próprio filho recém-nascido e você não, que você seja uma péssima mãe, que não nasceu pra isso, que nunca vai curtir a cria. Calma. Esse momento pode chegar. A maternidade traz um monte de coisa além do ciclo sem fim de mamar-arrotar-trocar-fralda-botarpradormir. Agarre no mantra você também, busque ajuda, respire fundo e tente tirar uns minutinhos sagrados pelo menos para aquele banho revigorante. Vou bater na tecla, mais uma vez, que a gente PRECISA de rede de apoio. Vamos parar de nos cobrar por essa explosão de amor sem fim a todo momento.

Na época eu pensava em postar fotos para trazer esse lado #maternidadereal mas era simplesmente impossível. Porque na hora que está tudo muito ruim, você não tem mão pra tirar uma foto. E também, vamos combinar, de olhar de pena para sua situação, já basta o seu. Me peguei postando fotos apenas dos momentos de muito amor, de fofura, de contemplação e perpetuei o conto de fadas da maternidade. Desculpa, migas. Falhei. Prometo que no próximo vou melhorar. Aguardem minhas redes sociais daqui há uns 20 anos quando eu tiver pique pro segundinho.

Tags maternidade-real puerperio apoio rn cuidado
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Nicole Meireles

Nicole Meireles
Psicóloga, dançarina de rua e mãe do Tom. O que me move são os encontros das pessoas, dxs amigxs e da família. Do meu corpo com o corpo dx outrx. Do carinho, do amor e do afago. Da música, da fala e da praça. Do lar e do bar.

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