Menos "Aulão" e mais "Te dou uma mão"

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Desde que eu descobri que seria mãe, a pior coisa que tive que lidar, foi a enxurrada de opiniões que surgiram no meu dia-a-dia. Eu sempre fui aquele tipo de mina cabeça dura, que faz o que quer e foda-se a opinião alheia.

Estava tudo tranquilo comigo até começarem essas falas, sem eu perguntar nada a ninguém, que chegavam num estilo quero te ajudar, mas só fodiam com minha cabeça (literalmente).

Se conselho fosse bom, não se dava, vendia.

O princípio básico da opinião (sem escuta), é que alguém tem uma verdade MUITO VERDADE para você e BURRA é quem não acata - ou seja, se você não fizer o que a pessoa te diz, você sairá desmerecida. O problema é que ninguém parou pra pensar que se a gestante fizer o que todos dizem, ela vai passar a ser muito louca, porque simplesmente cada um tem uma opinião diferente.

A gestação já é um momento de muitas privações para a mulher, seu corpo esta mudando, suas roupas não cabem mais, aquilo que você amava fazer e comer não vai rolar, simplesmente porque você esta enjoada e querendo dormir por todo o tempo. São tantas mudanças, que a melhor coisa que qualquer pessoa poderia fazer é ter a ESCUTA solidária, ao invés da fala autoritária.

Quando estamos gerando nossos bebês, estamos em um processo em que precisamos mais meditar sobre nós mesmos, do que receber uma lição de moral, sobre o que devemos fazer, pela conduta dos outros. Essas falas, injetam nas mulheres uma total descarga emocional, onde elas em um momento de total sensibilidade, não conseguem digerir e muito menos filtrar o que estão escutando (mesmo quando é uma dica boa, se for feita com violência, só vai assustar). #ficaadica

Já estava entrando no meu quinto mês de gestação, quando eu e meu parceiro decidimos viajar, depois de longos meses de reclusão. Fomos para a casa de um amigo, com uma galera, quando passei a ter desejo de copo de leite todos os dias. Aí chegou aquele brother, super natural, mas nada empático e disse: "Cara leite faz muito mal pra você e seu bebê". (E ai começou uma aula sobre alimentação, no meio do mato, onde não rolaria de ir comprar nada além do que já tinha na dispensa da casa). Depois de muito tempo dele falando sem querer me escutar, caracterizando minha alimentação como péssima e me desmerecendo, me disse que ao invés de tomar leite eu poderia comer brócolis. Fiquei pasma com a ideia do maluco, onde eu iria arrumar brócolis naquela altura do campeonato?

Nesse mesmo período, estava sendo acompanhada por um obstetra que saiu do meu plano de saúde, pelo plano estar falindo. Eu tinha ficado muito ansiosa e estressada com o ocorrido, então meu companheiro decidiu jogar num grupo de parto humanizado sobre o nosso problema, pedindo indicação de um obstetra pelo plano com parto normal (igual ao que tínhamos).

Até que em meio a várias mães passando informações que nos ajudaram, chega uma PROFISSIONAL DA ÁREA HUMANIZADA (enfermeira obstetra) e ZOMBA do nosso pedido de ajuda. Preciso dizer que meus hormônios gritaram a mil? Deboche a uma gestante é violência obstétrica, jamais iria imaginar e saber lidar com tal agressão vindo de uma profissional da área, em um grupo público.

Outro relato que me ocorreu, já no fim da minha gestação, foi quando decidi comprar um pote de plástico grande para guardar as roupas do bebê, já que o móvel que compramos, não chegava nunca. Então lá fui eu, com uma caixa de plástico gigante, junto com minha barriga do mesmo tamanho, entrar no ônibus voltando para casa, super cansada e querendo unicamente a minha cama. O dia poderia ter acabado ali, mas não, porque encontrei uma "amiga" no ônibus, que se levantou lá do fundo e veio até a minha pessoa...

...para me ajudar? É claro que não!

Ao invés de ter pego a caixa, me ajudado a passar ou sentar, ela decidiu sentar ao meu lado e me dizer que eu não deveria entrar pela frente do ônibus! Agora pense:

- Oh motorista abre a porta dos fundos! Ai sairia correndo com caixa, barriga e pés do tamanho de um elefante para a porta dos fundos, subiria a escada correndo pra não fazer o ônibus todos me esperar mais e já dentro do ônibus, fosse me equilibrando, com o motorista dirigindo o busão daquele jeito maneiro que já conhecemos no Rio de Janeiro, até a frente para passar o meu RioCard. O que eu fiz? Olhei pra cara dela e chorei, porque na minha cabeça só passava onde ela achava que realmente queria me ajudar, tirando a minha paciência, me obrigando a dar explicações sobre minha vida e não me oferecendo nenhuma ajuda efetiva.

Então, para aqueles que querem ensinar a uma mulher a ser mãe, proponho que deixem de falar e apareçam em sua casa para dar uma mão na hora de ninar seus filhos, ou pegar no colo para as mães dormirem um pouco mais, nos façam massagem, cortem nossas unhas dos pés ( lá pras tantas da gravidez você não enxerga mais nada lá embaixo). Podem também fazer uma comida gostosa, ajudar a limpar a casa. Segurem o choro do bebê na hora do nosso banheiro! Mas não pode, ou aquele conselho garoto, aonde não te pediram!

Ps: não fiquem comparando os nossos utensílios com sua vizinha que comprou tudo em Miami também.

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Hevelin Costa

Hevelin Costa
Fotógrafa, artista, professora, idealizadora do projeto FotoNem, mãe de primeira viagem do Pan (em longos 5 meses). Vem tentando voltar a sua carreira e vida social. Não desiste nunca. Cria forças no fantástico mundo da Hevelin, onde a imaginação corre solta.

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