Mãe Guereira x Pai Herói

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Para ser considerada mãe guerreira há pré-requisitos. Não é coisa assim pra qualquer mãe, não. É preciso que a mulher prove que merece o título. Como? Conciliando vida pessoal, afetiva, profissional, afazeres do lar e a rotina de cuidados com os filhos, a despeito de toda sorte de abandonos e violências sofridas, de não ter tido escolha a não ser criar os filhos sozinha. Não adoecendo nunca, fraquejando jamais - pode logo esquecendo essa depressão e essa síndrome do pânico que mãe guerreira não tem tempo pra isso.

Assumindo toda a responsabilidade de ser tutora das crianças que não fez sozinha, ganhando o título de "pãe", porque mesmo sendo a mãe foda que consegue ser sozinha, tem sempre alguém pra lembrar a existência do cara que apenas contribuiu com material genético e partiu. Ser apenas mãe não basta. Para ser mãe guerreira tem que acumular a função do pai também. Mas sem aparecer na festa do dia dos pais da escola, tá? Se papai não pode ir, pede pro vovô aparecer. Referência masculina é muito importante, nada a ver uma "pãe" aparecer nesse dia, tudo tem limite.

E para ser um pai herói, o que um homem precisa? Que alguém dê à luz um ser com seus genes, registrar o feito em cartório, ceder o sobrenome, dar um dinheiro por mês, quem sabe pagar o colégio e registrar no Facebook aquela tarde linda do dia dos pais, depois de mais de um mês tão ocupado que não deu pra levar as crianças pra passear no fim de semana combinado. De novo. Conciliar jardinagem, escalada no Himalaia, escritório e shows de Heavy metal garante capa de revista pra provar que o paizão anda mesmo sem tempo pra levar os filhinhos ao pediatra. Mas papai, ó, é mesmo herói: consegue amar os filhos mais do que ele ama cerveja.

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Tags maternidade-real feminismo empoderamento paternidade depressão
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Carolina Bittencourt

Carolina Bittencourt
Mãe da Rosa, 34 anos de pista, carioca, tijucana que foi parar em Copacabana, socióloga que virou figurinista, feminista interseccional, bissexual, místico-espiritualista, ariana, treteira, lactante,na luta e cheia de amor no coração. Não sabe quase porra nenhuma da vida, mas corre atrás para diminuir o preju.

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