Entre a gravidez e o puerpério, tem uma uma barriga

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Não há dúvidas que toda mulher sofre pressão estética. Desde crianças somos pressionadas a ter um corpo julgado “ideal” e essa pressão não nos abandona nem quando envelhecemos. Inclusive quando estamos grávidas ou após o bebê nascer já estamos escutando comentários a respeito de quando a NOSSA barriga vai voltar ao “normal”. O que é “normal” afinal?


As barrigas de grávidas já são controladas e tocadas. As pessoas querem saber quantos quilos você engordou, vigiam seu prato e suas semanas de gestação. Apostam com você que toda a equipe médica está errada e na verdade, há mais de um bebê na sua barriga. A sensação que passa é que você vai explodir a qualquer momento. Só observar como a “moda fitness” já incentiva grávidas sem barriga ou com mini barrigas por aí. Se as grávidas já escutam todo tipo de comentário a respeito de suas barrigas, você imagina uma mulher que acabou de parir.


Não basta parir um bebê, ter um bebê nos braços, lutar para amamentar, não dormir a noite, ter que lidar com as emoções em pleno puerpério, ainda haverá os comentários a respeito do seu corpo, da sua barriga. A mídia coloca em todos os sites a atriz/blogueira/youtuber/cantora que já perdeu todo o peso da gestação e está com sua barriguinha igualzinha antes do positivo no teste de farmácia. E aí, você, que mal escovou os dentes naquele dia, lê uma reportagem dessa, com a cria agarrada no peito depois de passar a noite em claro, apavorada com a sua barriga. Olha para si no espelho e estranha a barriga mole, as estrias que não estavam ali e lida com os comentários das visitas que seu bebê já tem dois meses e sua barriga continua parecendo de uma grávida de cinco meses. Escuta comparações, começa a fazer dieta mas sente que fracassou porque amamentar aumenta o apetite, porque você não tem tempo para cozinhar, porque o bebê não cochila para você fazer uma caminhada. Pressão, pressão, pressão.



Foto: Juliana Arruda e Martin


Não há nada de errado em ter uma barriga pós gravidez. Você não precisa voltar ao seu corpo anterior em 10 dias, em 10 semanas, em 10 meses, em 10 anos. Você pode voltar ou não voltar e está absolutamente tudo bem com isso. Essa questão deve ser tratada apenas por você, sem nenhuma opinião alheia. Tome seu tempo, seu momento e aproveite a descoberta de uma nova mulher. Uma mulher pode querer ter o mesmo corpo antes da gravidez mas que também tem todo direito de se permitir um corpo novo. Permitir amar um corpo que guardou um outro corpo. Um corpo novo, fora do padrão mas que padrão é esse, que é tão inexistente? Um corpo que traz uma história para contar. Um corpo que conta mais de você e da sua vida do que você poderia falar. Um corpo que você pode expor sem medo, sem cobranças porque sinceramente, a decisão sobre ele é sua. Os outros não importam.


Tome seu tempo, abrace seu corpo que foi capaz de tanta coisa, olhe com olhos de amor, acredite no que ele é capaz e esqueça a amiga/vizinha/blogueira que está com a barriga negativa desfilando na mídia. Não compartilhe, não pergunte, não faça piada dessas publicações. É só uma barriga! Todo mundo tem a sua. Sobreviva, viva intensamente o seu puerpério. Há muitas coisas entre seu coração, seus braços, sua cabeça e sua barriga.

Tags feminismo empoderamento beleza pressão maternidade
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Marcela Brazao

Marcela Brazao
Farmacêutica apaixonada pelas letras. Feminista, 33 anos, mãe solo da Maria Eduarda e da Juliana, que acredita que viver é uma evolução. Uma mulher que se redescobriu após a maternidade e que escreve para desabafar, refletir e divertir ou sempre que as palavras brotam na cabeça e no coração.

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