É tão massacrante assim ser mãe?

15486

Bom, vamos lá. É uma proposta difícil essa que trago pra esse texto. Primeiro,queria deixar claro que irei falar sobre a MINHA perspectiva de maternidade, sem a romantização do comercial de margarina, mas também sem o foco específico na parte mais tensa, que anda deixando algumas grávidas ligeiramente assustadas e as mulheres sem filhos mais em dia do que nunca com os métodos contraceptivos.


Nos últimos dias vi alguns posts pairando por minhas redes sociais de grávidas a termo que andam lendo muitos textos incríveis de manas fodas desabafando sobre as dores da maternidade. Dores estas que há uns anos atrás ninguém falava nadica de nada. Tanta coisa que tava entalada que rolou um boom com muito a dizer. Que maravilha, que coisa linda. Mulheres falando sobre suas dores, o lado b, os tabus. Simplesmente demais.


Infelizmente, esse “boom”, só está acontecendo em uma determinada bolha, mas acredito que já seja um grande primeiro passo. Vamos falar mais, gritar mais, pra que esse tipo de discussão chegue do Oiapoque ao Chuí, passando por Moreré e pelas terras desconhecidas (pra mim, né?) do Acre. Falar sobre esse lado difícil é mostrar pra um tanto de mulheres que sofrem sozinhas que elas não estão tão solitárias quanto pensam, que tem um monte de mana que já passou por isso e pode dar um colo, oferecer uma escuta solidária e até mesmo dar um palpite, SE ESTE FOR REQUISITADO. É por nós que fazemos isso tudo. Pela Nicole dos primeiros meses de vida do filho que chorava sozinha pensando o que tava fazendo de errado que a criança não dormia de jeito nenhum. E também pela Nicole do futuro que não vai saber falar direito sobre sexualidade (será?) com um homem pré-adolescente e vai recorrer às universitárias. É por todas as mulheres que passam, já passaram e passarão pela experiência doída e deliciosa da maternidade.


Dito isso, o ponto é: as grávidas a termo de quem eu falava no início do texto estão em pânico. Tipo, "fudeu, a cria vai nascer e nunca mais eu vou dormir. Nunca mais vou poder sair de casa. Meu peito vai rachar. Amamentar é impossível.". Daí vocês me perguntam: “É tão massacrante assim ser mãe?


CALMA, GILDA.


Nada é 100% incrível, mas também não é 100% trevas. Cada uma tem sua história, suas dificuldades. Vai ser difícil? COM CERTEZA! Mas o difícil é próprio de cada uma. Junto com a dificuldade, muitas vezes tem momentos de muito prazer. Pode não ser no primeiro mês, no segundo, até um tempinho depois se o seu caso é mais complexo. E tudo bem, não quer dizer que aquela relação de vocês dois não vai dar certo. Vai sim, uma hora você vai botar na balança da vida e você vai ver o quanto que ganhou. Tem mãe que sente isso no primeiro sorriso, outra nos primeiros passinhos, outra na primeira noite de sono completa. Outra na primeira árvore plantada, outra na conclusão da escola. Enfim, são tantas opções. Até mesmo aquelas que dizem que não valeu a pena, com certeza tem dias lindos pra contar.


Ver um pequeno "serumaninho" crescer é lindo demais. Ver a si mesma crescendo junto é mais especial ainda. Cada uma sabe onde seu calo aperta e é por isso que se tratando de maternidade não tem spoiler. Falar de maternidade real é falar sobre a realidade de cada mãe e todas as particularidades que isso envolve. Depois do terror inicial dos primeiros meses aqui de casa, às vezes eu choro de emoção só porque meu filho tá ali em pé. Porque ele é a coisa mais linda do mundo e eu que fiz. Ele tem a minha cara e o meu jeitinho. Tem uns dias ruins, umas horas que ele tá bem revolt e eu queria fugir para as colinas. Mas melhora. Ele faz um sorrisinho que acaba com meu mundo e eu corro pra agarrar ele.

Todo esse lado bom e lindo pode ser visto de forma muito mais fácil se você tiver uma REDE DE APOIO com quem você possa realmente contar. Seu companheiro ou companheira, mãe/irmã/tia/sogra/tio/pai/irmão/sogro, e seus amigues. Essas pessoas que você escolher pra te rodear vão ser essenciais para sua sanidade mental. Confia nelas, delega algumas funções. Deixa elas te ajudarem (digo isso porque eu tinha muita dificuldade de deixar). É necessária uma vila para criar uma criança, MESMO. Se eu vivo, hoje, uma experiência de maternidade que me faz muito feliz é porque eu vivo cercada de muita gente que me apoia, psicologicamente e fisicamente. Tenho o privilégio de ter uma mãe que é a melhor pessoa do mundo, um companheiro do meu lado, um outro tanto de familiares muito próximos, além de muitos titios e titias de vida que me ajudam todos os dias.

Ah! E também é necessária INFORMAÇÃO. Chega de seguir o senso comum que diz que bebê só pode sair de casa com três meses, que existe leite fraco (!), que tomar uma cerveja vai acabar com a saúde do seu bebê. Dá uma força pra você mesma, pro que você quer fazer, pro que pode te fazer se sentir melhor. O bebê vem junto, pode ter certeza. Assim como você tá se adaptando a ele, ele está se adaptando a você. E essa é a grande beleza da coisa.

Massacrante mesmo é essa sociedade que acha que a mulher que é mãe tem que se resumir em x, y e z. Massacrante é ter que conviver com ex babaca que não divide as responsabilidades. Massacrante é trabalhar mil horas pra pagar todas as contas. Massacrante é ter que ouvir de um desconhecido na rua onde eu deveria amamentar minha cria e até quantos anos. Massacrante é ficar 3 anos sem UMA NOITE de sono ininterrupto. Massacrante é não ter 5 min pra si, dia nenhum.


Massacrante é ter que levar tudo sozinha nos próprios ombros.


Se não tiver ninguém do seu lado, cola na gente. Procura um grupo de mães fodarásso e gruda. Você pode encontrar mulheres maravilhosas super dispostas a te ajudar. Como essas aqui. <3

Tags maternidade-real feminismo empoderamento gravidez
SHARE

Nicole Meireles

Nicole Meireles
Psicóloga, dançarina de rua e mãe do Tom. O que me move são os encontros das pessoas, dxs amigxs e da família. Do meu corpo com o corpo dx outrx. Do carinho, do amor e do afago. Da música, da fala e da praça. Do lar e do bar.

Comente

Studio na Colab55